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VOZ DO PROFESSOR
DESTAQUE | Pr.
carlos renato de lima brito |
O Cristao e a Arte por Carlos Renato de Lima Brito (bel. em Teologia pelo
Seminário Batista do Cariri, Crato - CE)
Arte é uma daquelas palavras extremamente difícil
de conceituar. Cada teórico da Arte dá um conceito
diferente dela e vai entao abordá-la a seu modo.
O conceito deste artigo sobre a Arte é que esta é o
esforço humano em alcançar, por meios naturais,
ideais de beleza, na expressao dos seus pensamentos, da sua cosmovisao,
da suas emoçoes e do seu interior, servindo a um propósito
comercial, filosófico, político, religioso, social
ou artístico em si.
Talvez o leitor sinta falta de uma referencia a uma autoridade
no assunto, que tenha como respaldar o conceito expresso com
mais peso. Isto é natural e esperado. Talvez seja até exigido.
No entanto, aqui se pretende a romântica originalidade
dos ingenuos que procuram definir o indefinível e limitar
o ilimitado. Quem pode definir a Arte?
O conceito proposto começa com essa afirmaçao:
a Arte é um esforço humano. Nao é encontrado
do mesmo modo em qualquer outro lugar da criaçao. Faz
parte da essencia humanidade e se vale dos meios que a natureza
lhe dispoe, para concretizar as minúcias ou grandezas
espirituais do seu ser. Por vezes, o artista, aquele que faz
Arte, possui uma opiniao a respeito de fato um Histórico.
Para fazer com que aquela opiniao seja expressa de modo impressionante,
ele a expoe através da sua maior destreza; pela poesia,
por exemplo. Em outro caso, o artista está tomado por
um turbilhao de sensaçoes que desejam sair a tona. Entao,
ele coloca em sua sinfonia uma descriçao subjetiva e requintada
num reflexo musical daquelas sensaçoes.
A Arte pode servir a determinados propósitos. Nao é mais
possível descartar do conceito Arte aquela Arte que nao
figura entre os grandes artistas e as grandes obras do desenvolvimento
Histórico da cultura Ocidental. A Arte popular tem sido
alvo de sérios estudos científicos e tem dialogado
com a chamada grande Arte em todos os tempos. Um quadro pintado
por uma criança de um bairro pobre de uma grande cidade
pode ser considerado Arte quando se olha este quadro na perspectiva
do propósito que aquela Arte possui: o propósito
social.
A Arte, na definiçao citada, também luta para alcançar
o belo enigmático. O artista faz o que mais ninguém
faz ou faz o que qualquer um pode fazer, seja com habilidade
seja com simplicidade, porém nunca sem alcançar
um ideal pessoal, coletivo, imaginário ou concreto. A
sensibilidade do artista percebe o mundo ao seu redor e seu mundo
interior e consegue achar uma soluçao bonita para o mar
de informaçoes com que está em contato, por vezes
de modo inconsciente. O que é comumente chamado inspiraçao é o
fim de um trabalho árduo, compreendido numa busca exaustiva
pelos caminhos dos recursos dominados pelo artista que é recompensada
por momentos de grande criatividade e produçao.
Entre as Artes, considerando os meios naturais de que elas se
utilizam, poderiam ser citadas a literatura, a pintura, a escultura,
a arquitetura, a música, o teatro, a dança e o
cinema. Este trabalho, por conta do conhecimento rarefeito do
autor sobre o assunto, abordará apenas a Arte Européia
Ocidental da Pintura. Também este trabalho nao possui
a pretensao de abordar este conjunto tao grandioso de obras e
genios seja de modo representativo seja de modo exaustivo. As
obras e autores escolhidos para análise superficial foram
selecionados sob critérios variados, nem sempre esclarecidos,
o que seria esperado de alguém mais versado no assunto.
Esse estudo segue o seguinte plano:
Estabelecimento do propósito do estudo sobre o relacionamento
o cristao e a arte.
Definiçao, pelas Escrituras Sagradas, do que é ser
um cristao.
Vislumbre de um panorama histórico e filosófico
da Arte Ocidental.
Estabelecimento de diretrizes para que um cristao possa ter
um relacionamento correto com as Artes.
Propósito:
Este artigo visa dar embasamento ético para responder
a pergunta: Pode um cristao ter contato com a Arte, mesmo
que ela nao se denomine religiosa e crista?
Por exemplo: Um cristao pode ouvir uma Sinfonia de Mozart
se nesta Sinfonia nao há nenhuma mençao dos
símbolos cristaos, nenhuma referencia ao culto religioso
e nenhuma dedicaçao a Deus, sabendo que o que se diz
popularmente a respeito desse compositor é que, apesar
de ser declarado cristao, tinha uma vida dissoluta e estava
fortemente ligado aos ritos maçônicos, o que é condenado
por muitos cristaos?
Ainda mais: Será que um cristao pode ler poesia
da Arte popular, como Pedro Bandeira e Patativa do Assaré,
quando eles versaram sobre assuntos nao religiosos como o
problema da seca no Nordeste e da migraçao para a
grande Sao Paulo?
Que tipo de entrosamento pode haver entre o cristao
e a Arte?
Há tres maneiras de se lidar com a Arte, dentre as quais
parece ser mais equilibrada a terceira:
A primeira maneira é negar a Arte completamente.
Esta negaçao pode ser feita por se acreditar
que o Cristianismo é contrário as Artes,
por se acreditar que toda a Arte é formada a
partir de uma filosofia nao crista, já que muitas
vezes é produzida por artistas que nao conhecem
Cristo pessoalmente.
A negaçao da Arte pode ser feita também
por falta de conhecimento da Arte.
É difícil gostar de algo que nao
se conhece. Especialmente a Arte composta de símbolos
que necessitam ser decifrados para nao serem
mal-entendidos.
É como o expectador novato de uma ópera
transmitida pela TV. Só muita curiosidade
fará com que esse expectador nao mude de canal
nos próximos trinta segundos. Uma ópera
geralmente foi escrita em italiano há 200
anos atrás, cantada e encenada por pessoas
de diversas nacionalidades, sobre uma História
da Literatura Clássica, no que há de
mais refinado da música erudita.
É preciso muito conhecimento prévio
para se apreciar uma ópera: ter lido a obra
clássica, conhecer um pouco de italiano, saber
um pouco da estrutura (ária – recitativo – coro)
e acompanhar a carreira internacional dos artistas.
Vale denunciar que estas informaçoes nao
sao veiculadas pela grande mídia.
Outra maneira de se lidar com a Arte é a da
aceitaçao completa da Arte. Estas pessoas creem
que Deus criou todas as coisas, criou o homem com potencial
criativo e que, sendo assim, toda a arte produzida pelo
homem é boa.
Esta posiçao pode ser vista em muitas exposiçoes
de Arte, por aqueles cristaos um pouco mais educados,
que olham para um quadro em branco pendurado na parede,
cujo título é O Ocaso, e balançam
a cabeça fingindo que estao entendendo tudo.
Esta posiçao também pode ser vista
entre aqueles que aceitam todo o tipo de música
na Igreja, dizendo que Deus é o Criador de todos
os sons e que, por isso, todos os estilos musicais
sao aceitáveis.
Aqui, o raciocínio das pessoas que adotam
esta posiçao parte de uma idéia correta,
mas deixa de lado algumas informaçoes relevantes.
De fato, Deus criou todas as coisas, mas a sua Criaçao
nao permaneceu perfeita tal como Deus a criou, ela
sofreu e sofre com os terríveis efeitos do pecado.
Além do mais, o homem foi contaminado pelo pecado.
Sua capacidade de apreensao dos elementos naturais
foi afetada negativamente. O homem pode também
deturpar as informaçoes que colher dos meios
naturais, impondo sua visao errada sobre a realidade
que na criaçao era totalmente boa (Romanos 1.19-23).
A mais acertada maneira de se lidar com a Arte é a
da aceitaçao criteriosa. Um cristao, ciente das
posiçoes ideológicas mais importantes da
sua crença, se envolverá com a Arte, seja
como expectador, seja como estudioso, seja como artista,
a medida que esta arte refletir o seu Cristianismo. Noutras
palavras, o cristao se envolverá com a arte crista.
Evidentemente, existem graus de envolvimento. E também,
certa obra artística pode estar mais ou menos
envolvida com o Cristianismo. Quanto mais crista a Arte
for, mais um cristao poderá se envolver com ela.